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Archive for fevereiro \08\UTC 2013

Este ano não te levei flores…

Dia 1º de fevereiro passou em “brancas nuvens”… aniversário de vida de nossa querida mãezinha… mas não foi por desatenção que não te levei flores, mãe querida; foi por absoluta falta de opções! Estava em outras plagas, lutando por um povo Xavante, de quem lhes tiraram tudo, assim como tiraram de mim as lembranças de minha mãe…

DSCN1447Sempre soube que esse dia seria difícil para mim, pois o meu aniversário sempre se uniu ao dela pela coincidência de datas e também pelo nosso afeto recíproco e sincero. Quase não me lembro de algum ano que não estivéssemos juntos nestas datas. Por isso me neguei a comemorar a minha parcela desses dias, e permaneci calado.

Mas todos os dias me lembro de minha mãe e de meu pai, pessoas que deram significado à minha vida. Lembro-me, na solidão dos momentos em que me escondo deste mundo, e também no burburinho inconveniente do palavrear que sempre me incomodou. Se sou assim, devo-o a mim mesmo, pois Dinorah sempre gostou de festas, das aglomerações, da música e das danças, coisas que me abominaram e afastaram-me do convívio social.

Em novembro e dezembro estive em São Paulo, ocasião em que visitei alguns cemitérios (Rebouças, Araçá, São Paulo), não porque lá estivessem pessoas queridas e esquecidas, mas pelo simples prazer de reverenciar aqueles que já se foram. Penso que assim me acostumo com o esquecimento que um dia me levará também. Bem o sei que assim será.

Não deixei flores pelos jazigos, mas retirei deles alguma memória nas fotos que registrei. Para muitos, este seria um prazer mórbido, mas não existe prazer nas sepulturas, apenas o silêncio eterno. Por isso estava lá, para relembrar meus pais queridos, lamentar suas ausências e compartilhar a vida que se seguiu à sua partida.

Este ano não te levei flores, mãe querida, mas meus olhos denunciaram minha tristeza e solidão; tristeza profunda, indizível, soluço extremo que retira o fôlego e suspende a vida por alguns momentos quase eternos; solidão extrema, ausência de algo (ou de alguém) que nunca mais retornará. Tristeza e solidão que refletem minha perplexidade diante do absurdo de ser pensante e impotente diante desse paradoxo que é a vida, seguida de sua morte, ausência definitiva e irreversível…

Guardo, porém, para mim apenas, a sensação de que um dia compreenderei o que não pode ser compreendido. E nesse instante efêmero de iluminação (satori), deixarei que a vida se esvaia em meu Ser para se integrar ao Infinito.

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